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terça-feira, 16 de agosto de 2016

JOANETE (Hallux Valgus)

Hallux é o termo em Latim que significa o maior dedo do pé (1º dedo), o chamado dedão do pé, e Valgus a posição que este assume em relação ao eixo longitudinal do corpo, isto é, em valgo (afastando-se do eixo do corpo).


O joanete é a patologia mais comum que ocorre nos pés dos adultos hoje em dia (30 % da população moderna possui algum grau de deformidade), principalmente nas mulheres que utilizam calçados de salto alto e bico fino, exercendo assim um fator extrínseco (externo) importante, que propicia a degeneração da articulação do primeiro dedo e auxilia para que aconteça tal deformidade. É 10 vezes mais comum nas mulheres do que nos homens !



Existem também outros fatores que contribuem para que a deformidade ocorra, como: doenças degenerativas (artrite reumatóide, gota, etc..), hereditariedade (pé plano, herança familiar, frouxidão ligamentar familiar) e alterações neurológicas (derrame, paralisia cerebral, trauma de coluna (medular).
 
O joanete inicia, na maioria dos casos, na segunda década de vida e pode ser unilateral ou, mais comumente, bilateral. Tem pouca relação com a atividade ocupacional e nenhuma prevalência para destros ou canhotos.
 
Além da deformidade, o paciente com joanete pode apresentar uma calosidade na borda interna do pé (ao lado da articulação desviada) podendo ser dolorosa e incômoda para o uso de alguns tipos de calçados. Também pode apresentar deformidades nos outros dedos do pé e calosidades plantares.

O tipo de joanete e o grau de deformidade devem ser avaliados pelo exame clínico especializado e RX.
 
O uso de aparelhos para melhorar o posicionamento dos dedos e palmilhas pode aliviar parcialmente e provisoriamente os sintomas, porém o seu uso não previne e não corrige a deformidade.
 
Quando a correção é necessária, a única opção é a cirurgia. Esta deve ser específica para cada paciente, pois o joanete tem algumas variáveis que interferem no tratamento, como: sintomas existentes, expectativa do paciente, idade, gravidade da deformidade, presença ou não de desgaste das articulações envolvidas e a existência de queixas associadas, como deformidades nos outros dedos ou calosidades.
 
A cirurgia é realizada de forma ambulatorial e com anestesia local ao nível do tornozelo sob sedação do paciente, o que minimiza os riscos e promove um maior tempo de analgesia. 




Existem centenas de técnicas cirúrgicas para a correção do joanete. As técnicas mais atuais dispensam o uso do gesso e a retirada de fios de aço após a cirurgia, são mais eficientes e propiciam uma reabilitação mais rápida e menos dolorosa.
 

A técnica de realinhamento articular é uma das mais utilizadas hoje em dia. Consiste em redirecionar o primeiro dedo (Hallux) através de um corte ósseo em V e fixar com micro-parafusos internamente. Esses não interferem nas outras estruturas e não necessitam ser retirados posteriormente.

Existe também a técnica percutânea e minimamente invasiva para tratamento do joanete, isto é, a cirurgia é realizada através de pequenos furos na pele. Esta técnica é pouco utilizada no Brasil e também envolve corte ósseo com brocas para promover o realinhamento do dedo. A desvantagem deste tipo de procedimento é a não visualização dos nervos, veias e artérias, aumentando a chance de lesão destas estruturas. Além disso, a correção da deformidade não é tão precisa como na técnica descrita anteriormente e a fixação do corte ósseo não é realizada de forma rígida com micro parafusos.

 O apoio é permitido imediatamente após a cirurgia com o uso de uma sandália ortopédica (tipo Barouk), seu uso é mantido por 45 dias em média até a consolidação dos ossos do pé. Após esse período o paciente é liberado para calçar sapatos fechados com salto baixo, até a completa recuperação através da fisioterapia (inchaço e melhora do movimento).


 

O seguimento correto pelo paciente das orientações dadas pelo médico no pós-operatório garantem o sucesso do tratamento, diminuindo assim a chance de resultados insatisfatórios e complicações.

JOANETE - Perguntas Frequentes

1. O que é o Joanete ?

Joanete é uma deformidade do primeiro dedo do pé, ao nível da articulação que o une ao restante do pé (articulação metatarso-falangeana), na qual forma uma proeminência medial e desvio lateral do dedo. A deformidade é mais corretamente chamada de Hallux Valgus.


2. O que é Hallux Valgus ?

É o mesmo que joanete. Hallux é o termo em Latim que significa o maior dedo do pé (1º dedo), o chamado dedão do pé, e Valgus a posição que este assume em relação ao eixo longitudinal do corpo, isto é, em valgo (afastando-se do eixo do corpo).


3. Qual a causa do joanete ?


O principal fator para que ocorra a deformidade do joanete é a hereditariedade (pé plano, herança familiar genética, frouxidão ligamentar familiar) e o segundo, é o uso de sapatos de salto alto e bico fino. Existem ainda outras causas como as doenças degenerativas (artrite reumatóide, artrose, gota) e alterações neurológicas (derrame, paralisia cerebral, trauma medular).




4. O joanete só ocorre em pessoas adultas ?


Não. A deformidade pode ocorre durante os anos puberais ou na adolescência, e é conhecida como Hallux Valgus Juvenil.


5. Quais outras deformidades podem também estar presentes ?


Além da deformidade, o paciente com joanete pode apresentar uma calosidade na borda interna do pé (ao lado da articulação desviada) podendo ser dolorosa e incômoda para o uso de alguns tipos de calçados. Também pode apresentar deformidades nos outros dedos do pé e calosidades plantares.


6. A dor do joanete pode ser tratada sem cirurgia ?

Sim. A modificação do tipo de sapato usado, aumentando a largura e restringindo o uso de bicos finos alivia a pressão sobre a calosidade. O uso de protetores e acolchoamentos também pode aliviar os sintomas. É importante frisar que a deformidade não regride sem o procedimento cirúrgico, apenas a dor e a inflamação da calosidade pode ser aliviada com os meios conservadores.


7. Qual o objetivo do tratamento cirúrgico para o joanete ?

O objetivo primário do tratamento cirúrgico é aliviar a dor do paciente, restaurando a relação anatômica articular e o alinhamento do dedo.


8. Como é feita a anestesia para a cirurgia do joanete ?

A anestesia utilizada é o bloqueio realizado ao nível do pé e tornozelo sob sedação do paciente, o que minimiza os riscos e promove um maior tempo de analgesia. Em alguns casos, pode ser feito o bloqueio ao nível da coluna (anestesia raquimedular), principalmente quando a cirurgia for realizada nos dois pés.




9. Como é realizada a cirurgia do joanete ?

Existem centenas de técnicas cirúrgicas para a correção do joanete. As técnicas mais atuais dispensam o uso do gesso e a retirada de fios de aço após a cirurgia, são mais eficientes e propiciam uma reabilitação mais rápida e menos dolorosa.

A técnica de realinhamento articular com corte ósseo (osteotomia) em V (tipo Chevron) é uma das mais utilizadas hoje em dia. Consiste em redirecionar o primeiro dedo (Hallux) através de um corte ósseo e fixação com micro-parafusos. Esses não interferem nas outras estruturas e não necessitam ser retirados posteriormente.




10. A cirurgia do joanete pode ser realizada ambulatorialmente ?

Sim. Primeiramente é necessária uma avaliação clínica básica para excluir alguns fatores de risco para complicações. Pacientes idosos, fumantes, diabéticos, com história de trombose, alergia a medicações, complicações em cirurgias prévias, doença cardíaca, doença pulmonar ou simplesmente com sensibilidade aumentada para dor requerem maiores cuidados pós-operatórios.

Estando o paciente ciente e devidamente avaliado, a cirurgia em regime ambulatorial deve ser feita em bloco cirúrgico hospitalar, com instrumental adequado e sala de recuperação equipada.

O paciente só terá alta após sua completa recuperação anestésica, lúcido, deambulando e com presença de familiar ou acompanhante responsável.


11. A cirurgia do Joanete é muito dolorosa ?


Não. As técnicas antigas eram mais dolorosas, pois preconizavam o uso de fios metálicos que permaneciam para fora ou sob a pele até serem retirados e o uso de bota de gesso. Atualmente as técnicas são mais precisas, os instrumentais são mais apropriados e são utilizados micro-parafusos que permanecem dentro do osso, não interferindo nas outras estruturas e não necessitando serem retirados posteriormente. Também não se utiliza a bota de gesso hoje em dia.

O bloqueio anestésico é bastante eficaz nas primeiras 12 horas. Além disso, o paciente recebe medicação analgésica e anti-inflamatória suficiente para permanecer confortável nos primeiros dias de pós-operatório.


12. Como é o pós-operatório ?

Após a cirurgia o paciente é liberado para caminhar somente com a utilização da sandália com apoio no calcanhar (Sandália de Barouk). Curativo é feito na primeira semana e os pontos são retirados após 14 dias. Exames de RX são realizados para visualizar o progresso da consolidação óssea e o realinhamento articular do dedo.Após 45 dias, em média, o paciente é liberado para o uso de calçados de salto baixo até a completa recuperação.Sessões de fisioterapia podem ser necessárias para ajudar a diminuir o inchaço (edema) e ganhar movimento do dedo.

A orientação adequada e o seguimento correto pelo paciente no pós-operatório garantem o sucesso do tratamento, diminuindo a chance de resultados insatisfatórios e complicações.



13. O pé fica inchado por muito tempo ?

O edema pós-operatório diminui gradativamente ao longo do período de cicatrização e consolidação óssea do pé. Após os primeiros 2 meses da cirurgia, o pé pode continuar um pouco inchado ou alternar seu tamanho ao longo do dia, isto ocorre por características próprias e readaptação da circulação sanguínea do pé e também depende da atividade do paciente.


14. Quais são as complicações mais comuns na cirurgia do joanete ?



Abertura da sutura


Infecção superficial


Encurtamento do dedo


Desvio do corte ósseo


Não consolidação óssea


15. O joanete pode voltar ?  Recidivar ?


Sim. Sempre existe uma perda mínima da correção após alguns anos da cirurgia. A recidiva completa da deformidade pode ocorrer caso o paciente não siga corretamente as orientações do seu ortopedista. Pacientes jovens são mais propensos a voltar a usar calçado de salto alto e bico fino rotineiramente, promovendo novamente um fator deformante da articulação do dedo.


16. Que resultados podem ser esperados da cirurgia do joanete ?

Excluindo fatores de risco como: diabetes, doenças reumáticas, fumo, álcool, déficit vascular e outras alterações que influenciariam no pós-operatório, pode-se esperar 90% dos pacientes com bons resultados.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Hallux Rigidus


1. O que é Hallux Rigidus ?

Hallux Rigidus é uma desordem degenerativa da maior articulação do primeiro dedo do pé (dedão). Essa alteração leva ao desgaste da cartilagem (artrose), com formação de bicos e protuberâncias ósseas e rigidez que pode progredir até o bloqueio completo do movimento do dedo. A dor pode variar de acordo com o grau de evolução da doença, com o tipo de calçado utilizado e com a atividade física exercida. Em 80 % dos casos existe o acometimento bilateral.
 



2. Qual a diferença entre Hallux Rigidus e Joanete (Hallux Valgus) ?

As duas alterações acometem a mesma articulação, porém, o Joanete é mais freqüente na população que o Hallux Rigidus. 

O joanete apresenta-se como uma deformidade angular, isto é, o dedo desvia-se para o lado, formando um ângulo e uma calosidade medial, muitas vezes dolorosa. Além disso, o joanete raramente apresenta rigidez ou bloqueio do movimento do dedo

No Hallux Rigidus não ocorre o desvio lateral do dedo. A degeneração articular forma bicos ósseos, principalmente no dorso da articulação, que bloqueia o movimento e causa dor quando o dedo é submetido à extensão e flexão.


3. O que causa o Hallux Rígidus ? 

As causas são variadas e ainda controvertidas. Sabe-se que contusões repetitivas e traumas podem ocasionar lesões na cartilagem e levar ao desgaste precoce (artrose). Assim como pessoas obesas ou pessoas que exercem profissões ou atividades esportivas que possam sobrecarregar e causar impactos entre os ossos da articulação envolvida.

Doenças como gota, artrite reumatóide (reumatismo), psoríase e infecções também podem acometer a articulação do dedo e ocasionar a destruição da cartilagem.

Ainda existe o desenvolvimento do Hallux Rigidus relacionado à formação genética e às alterações anatômicas preexistentes do pé e do primeiro dedo (dedão).

4. Com que idade pode ocorrer o Hallux Rígidus ?

Há duas faixas etárias onde o Hallux Rígidus pode ocorrer mais comumente. Em adolescentes, ocasionado por lesões relacionadas á prática de esportes e atividades de impacto como dança, salto e corrida; e em adultos, secundário aos processos degenerativos por sobrecarga articular ou doenças sistêmicas.

 
5. Quais os sinais e sintomas do Hallux Rígidus ?


Inicialmente:


• Dor e edema na articulação do dedo maior do pé (dedão).

• Rigidez leve, normalmente ao acordar, podendo ser agravada pelo frio

• Dificuldade para correr, agachar ou saltar

• Desconforto com calçados que apertam a frente do pé



Com o avanço da doença:


• Dor importante, mesmo durante o repouso

• Aumento e deformidade da articulação

• Rigidez grave ou bloqueio total do movimento

• Mudança na forma de caminhar e do apoio do pé



6. Como é feito o diagnóstico de Hallux Rígidus ?
 
O diagnóstico é feito através da história clínica do paciente e do exame físico dos pés por um especialista. O raio X deve ser feito de ambos os pés e serve para avaliar o grau do Hallux Rígidus e o comprometimento articular, além de outras alterações concomitantes. 

Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, mais fácil é a correção e melhor o resultado do tratamento.
  

7. Quais os tratamentos para o Hallux Rigidus ?

O tratamento conservador, sem cirurgia, só é indicado nos casos leves e iniciais; onde a dor é esporádica, com nenhuma ou mínima perda do movimento e exames radiológicos normais. Nesses casos, o uso de medicação antiinflamatória, a imobilização temporária, a modificação do tipo de calçado e a proteção para realizar atividades de impacto ajudam a minimizar os sintomas e a retardar a evolução da doença.

O tratamento cirúrgico é indicado na maioria dos casos, principalmente quando existe perda do movimento e a dor torna-se um sintoma importante. Na seleção do procedimento deverá ser levada em consideração a extensão da doença com base nos resultados do exame radiológico, a idade do paciente, o nível de atividade, entre outros fatores.

Existem vários tipos de cirurgia que são empregadas para o tratamento do Hallux Rigidus de grau moderado a grave.

As osteotomias e queilectomias são procedimentos utilizados para descomprimir a articulação e retirar os bicos ósseos que causam o impacto, melhorando assim o movimento e aliviando a dor.



A capsuloplastia de interposição consiste na descompressão da articulação e colocação de tecido flexível (cápsula) entre os ossos, reconstruindo assim o espaço e substituindo a cartilagem degenerada por tecido fibroso. Isto permite manter certo movimento articular e propicia o alívio da dor. 



A artrodese articular, isto é, a fusão dos ossos para eliminar o movimento da articulação e conseqüentemente a dor, é utilizada como alternativa de tratamento definitivo. O dedo deve ser posicionado de forma a manter o conforto para deambular sem ocasionar atrito com o calçado ou o contato excessivo com o chão.


Estão em estudo vários tipos de próteses metálicas ou de materiais sintéticos para substituir a articulação degenerada. Embora a idéia seja promissora, nenhuma delas teve, a médio e longo prazo, resultados melhores que as técnicas biológicas descritas anteriormente.

A duração do período de recuperação pode variar, dependendo do procedimento realizado.