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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Braquimetatarsia

Os metatarsos são ossos longos e formam o prolongamento anterior do pé, articulam-se isoladamente com cada um dos cinco dedos na sua porção mais distal (ponta do pé) e com quatro ossos do tarso (cuneiforme medial, cuneiforme intermédio, cuneiforme lateral e cubóide).

Braquimetatarsia quer dizer “ metatarso curto ” (do grego Brachys = curto). É uma alteração congênita, freqüentemente bilateral (72%) e mais prevalente no sexo feminino (25:1).


A braquimetatarsia congênita é uma hipoplasia (diminuição da formação) ocasionada pelo fechamento precoce da cartilagem de crescimento (fise) e envolve principalmente o primeiro, o terceiro e/ou o quarto metatarsos. Isso restringe o desenvolvimento ósseo na infância e torna o metatarso mais curto em relação aos demais na vida adulta.


A fórmula metatarsal (estudada por Viladot, Hardy e Clapham) é a linha de relação entre as cabeças dos metatarsos e sua protusão anterior. A braquimetatarsia altera essa fórmula metatarsal e, consequentemente, a distribuição da carga de apoio na região frontal do pé.


Dor e calosidades plantares podem estar presentes pela má distribuição da pressão na frente do pé. Também pode ocorrer a elevação do dedo relacionado ao metatarso encurtado, causando desconforto pelo contato dorsal com o calçado.

Fatores hereditários da deformidade podem estar presentes em algumas famílias ou associados à síndrome de Down, síndrome de Turner, síndrome de Apert ou osteodistrofia de Albright. A braquimetatarsia também pode ocorrer em conseqüência de traumas, infecções, tumores ou outros acometimentos que resultam no encurtamento metatarsal.

Pacientes com encurtamento metatarsal congênito quase sempre não apresentam queixas importantes de dor ou incapacidade funcional. A principal queixa portanto é quanto a forma estética do pé, o que leva a constrangimentos ao usar calçados abertos, chinelos ou andar com os pés descalços.

A avaliação da braquimetatarsia é feita através de exames de RX de ambos os pés com apoio e, de forma complementar, com tomografia computadorizada.


O tratamento baseia-se nas queixas apresentadas pelo paciente e pode ser feito de forma conservadora ou cirúrgica.

O tratamento conservador tem por objetivo distribuir uniformemente a pressão plantar metatarsal e diminuir o contato sobre as proeminências ósseas do pé, minimizando a dor e as calosidades presentes. Para isso, pode-se orientar a mudança do tipo de calçado e adaptar palmilhas moldadas visando o conforto.

O tratamento cirúrgico tem por objetivo alongar o osso metatarsal encurtado, melhorando o equilíbrio e a distribuição de carga plantar, além de promover a satisfação do paciente pela restauração estética do pé.

Existem várias técnicas cirúrgicas descritas na literatura médica para a correção da braquimetatarsia. As mais utilizadas são os alongamentos, com ou sem enxerto ósseo, concomitante ou não com o encurtamento de outros metatarsos, e o uso de fixadores externos.


 

Cirurgia Plástica nos Pés

O desejo pela estética de um pé perfeito, exposto às exigências anatômicas da moda calçadista feminina com suas sandálias abertas e saltos altos com bicos cada vez mais finos, levam as mulheres a procurarem alternativas para amenizar suas queixas em relação aos seus dedos e às formas dos pés.




As queixas mais frequentes estão relacionadas diretamente com o uso de calçados e incluem calosidades, deformidades dos dedos, alterações das unhas e diversos tipos de dor e desconforto. Além disso, a insatisfação pela própria forma do pé e dos dedos, adquirida geneticamente, pode causar incômodo e constrangimento.


Os termos "Cirurgia Plástica nos Pés", "Cirurgia Estética nos Pés" ou "Cinderella Surgery" ( "Cirurgia Cinderela" - termo proposto pelo Dr. Ali Sadrieh de Beverly Hills) são expressões com certo caráter comercial, usadas para divulgar os procedimentos ortopédicos que corrigem as deformidades ósseas e articulares que causam desconforto aos exigidos pés femininos.

A polêmica em relação a esses procedimentos, intitulados como “ plásticos ” ou “ estéticos ”, acontece quando a exigência da correção ultrapassa o bom senso anatômico e funcional.

No entendimento da medicina atual, pés que exercem sua função normal, dentro de calçados anatomicamente apropriados e sem discrepâncias ou deformidades realmente importantes, não devem ser operados somente para satisfazer o ego do paciente.

O impulso pela busca da perfeição estética e satisfação corporal leva os pacientes a realizarem cirurgias desnecessárias, expondo-os aos riscos inerentes e com alto grau de insatisfação pós-operatória.

As indicações cirúrgicas “ estéticas " nos pés devem estar sempre associadas com deformidades relevantes ou limitantes do ponto de vista funcional.

As deformidades mais associadas às queixas são:



Hallux Valgus (ver Joanetes)


Dedos longos ou curtos demais (ver Braquimetatarsia)


Dedos com deformidades (ver Deformidades dos Dedos Menores)


Joanete do 5ºdedo (ver Bunionette)



É importante salientar :



1. Os procedimentos cirúrgicos utilizados para corrigir essas deformidades envolvem incisões, alterações tendinosas (tenotomias / tenoplastias) e cortes ósseos (osteotomias); além de ser necessário, em certos casos, o uso de pequenos parafusos ou fios metálicos para fixação.


2. Procedimentos cirúrgicos eletivos necessitam de uma avaliação clínica pré-operatória e envolvem cuidados apropriados após a realização do procedimento.


3. Todos e quaisquer procedimentos cirúrgicos provocam a formação de tecido fibroso cicatricial. Fatores genéticos, doenças que interferem no processo de reparo tecidual, alguns medicamentos e tabagismo interferem no aspecto e na forma da cicatriz resultante.


4. As fases pós-operatórias de inflamação, reparação tecidual e remodelação são inerentes a todo processo cicatricial, variam de acordo com cada tipo de tecido operado e interferem no tempo de recuperação e no retorno ás atividades diárias normais.



5. Complicações pós-operatórias podem acontecer em qualquer cirurgia, mesmo com todos os cuidados preventivos necessários para que estas não ocorra. As principais complicações que podem ocorrer na cirurgia do pé são:

Abertura da sutura (deiscência)
Reações alérgicas (material ou anestésicos)
Infecções
Não consolidação óssea
Quebra dos Implantes (falência do material)
Deslocamento dos implantes ou das partes ósseas
Formação cicatricial indesejada
Recidiva da deformidade
Edema e dor residual persistente